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Campo de Concentração de Senador Pompeu recebe visita técnica para tombamento

Senador Pompeu CE - Campo de concentração onde 'flagelados da seca' eram  aprisionados é tombado no Ceará .

A Comissão plural criada para a oficialização do tombamento do Campo de Concentração do Patu, em Senador Pompeu (272 km de Fortaleza), realizou a primeira visita oficial ao sítio histórico com aproximadamente 2 km de comprimento e 1,5 km de largura, onde ficaram confinados milhares de flagelados na seca de 1932. O Campo do Patu é o único preservado das histórias das secas no Brasil. Suas ruínas já foram tombadas como patrimônio histórico do Município. Agora, está em processo de tombamento pelo Estado.

A Comissão plural criada para a oficialização do tombamento do Campo de Concentração do Patu, em Senador Pompeu (272 km de Fortaleza), realizou a primeira visita oficial ao sítio histórico com aproximadamente 2 km de comprimento e 1,5 km de largura, onde ficaram confinados milhares de flagelados na seca de 1932. O Campo do Patu é o único preservado das histórias das secas no Brasil. Suas ruínas já foram tombadas como patrimônio histórico do Município. Agora, está em processo de tombamento pelo Estado.

A inspeção foi realizada pelos técnicos da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), Jéssica Ohara e Emmanuel Bastos; o vice-presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa, deputado estadual Acrísio Sena; o presidente da Fundação de Apoio ao Ensino, a Pesquisa e a Extensão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (FAIFCE), Ernani Andrade Leite, recepcionados pelo prefeito Maurício Pinheiro.

O complexo do Campo de Concentração do Patu – composto por 12 casarões, a Vila Operária e as três casas de pólvora – foi utilizado na seca de 1932 e foi desativado em 1933. Além do tombamento estadual dos prédios – local de uma antiga fábrica e usado para barrar a caminhada de retirantes da seca para Fortaleza –, há um processo de transformação da Caminhada das Almas – também chamada de Caminhada da Seca – do Cemitério da Barragem do Açude Patu em patrimônio imaterial; e o restauro das construções pelo IFCE, numa articulação com o Ministério do Turismo”, explicou Acrísio Sena.

Mais de 12 mil sertanejos, retirantes da seca, morreram de fome e de doenças como sarampo, paratifo e cólera no Campo do Patu.

Os mortos foram enterrados aos milhares no Cemitério da Barragem do Açude Patu, local improvisado como um sepulcro coletivo, com inúmeras valas.

O costume de homenagear os mortos da tragédia transformou-se na Caminhada da Seca – num trajeto entre a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores até o local – criada pelo padre italiano Albino Donati, em 1982, quando era pároco da cidade, e ocorre todos anos desde então, reunindo cerca de 5 mil pessoas, sempre no segundo domingo de novembro.